Era 12 de abril, eu já estava com 21 anos e você tinha ido
embora da minha vida há algum tempo, meu celular vivia largado pela casa, só o
carregava pelo hábito, tinha trancado a faculdade e fazia um tempo que eu não
aparecia no trabalho, pretendia voltar para a casa da minha mãe no fim do mês,
meu apartamento estava todo empoeirado, um completo caos, fui organizar o que
levaria comigo no carro, apesar de ainda não precisar disso, só queria arranjar uma desculpa para ver as suas coisas, e achei algumas cartas que você me escreveu, e algumas
que eu que te escrevi, mas nunca te deixei ler, achei também as rosas que você
já tinha me dado, que, apesar de secas e mortas, ainda cheiravam, e o vidrinho do
seu perfume que estava vazio, mas ainda continha o seu cheiro. Relendo aquelas
cartas enquanto o cheiro da rosa e do seu perfume exalavam pelo ar e se misturavam
de uma forma que fazia várias borboletas invadirem o meu estômago, percebi que
ainda sentia tudo que estava ali, e aqueles textos que eu escrevia simulando
términos, mal podia acreditar que você tinha ido embora de verdade dessa vez,
me perguntei se você também havia reparado que estaríamos completando 7 anos
juntas, ou se já teria superado, se já estaria com outra pessoa, liguei o
netbook, que estava todo empoeirado, e o levei para a sala, me conectei ao
facebook e abri o seu perfil, lá dizia que você estava solteira, mas eu não
sabia se podia acreditar nisso, decidi arriscar e te mandei uma mensagem
dizendo apenas “7 anos”, não esperava que você respondesse, então fui até o
quarto deixar o celular lá, jogado na cama, e fiquei mais um pouquinho na
internet, vendo o que estava acontecendo com todas as pessoas que já fizeram
parte das nossas vidas, depois de um tempo, resolvi tomar banho pra esfriar a
cabeça, sua falta me afetava demais, quando voltei ao quarto para me vestir,
ainda escolhendo a roupa com uma toalha na cabeça, senti o celular vibrando e a
tela se acendeu, era uma mensagem sua, e dizia “você demorou...”.