segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Demora Inesperada

Era 12 de abril, eu já estava com 21 anos e você tinha ido embora da minha vida há algum tempo, meu celular vivia largado pela casa, só o carregava pelo hábito, tinha trancado a faculdade e fazia um tempo que eu não aparecia no trabalho, pretendia voltar para a casa da minha mãe no fim do mês, meu apartamento estava todo empoeirado, um completo caos, fui organizar o que levaria comigo no carro, apesar de ainda não precisar disso, só queria arranjar uma desculpa para ver as suas coisas, e achei algumas cartas que você me escreveu, e algumas que eu que te escrevi, mas nunca te deixei ler, achei também as rosas que você já tinha me dado, que, apesar de secas e mortas, ainda cheiravam, e o vidrinho do seu perfume que estava vazio, mas ainda continha o seu cheiro. Relendo aquelas cartas enquanto o cheiro da rosa e do seu perfume exalavam pelo ar e se misturavam de uma forma que fazia várias borboletas invadirem o meu estômago, percebi que ainda sentia tudo que estava ali, e aqueles textos que eu escrevia simulando términos, mal podia acreditar que você tinha ido embora de verdade dessa vez, me perguntei se você também havia reparado que estaríamos completando 7 anos juntas, ou se já teria superado, se já estaria com outra pessoa, liguei o netbook, que estava todo empoeirado, e o levei para a sala, me conectei ao facebook e abri o seu perfil, lá dizia que você estava solteira, mas eu não sabia se podia acreditar nisso, decidi arriscar e te mandei uma mensagem dizendo apenas “7 anos”, não esperava que você respondesse, então fui até o quarto deixar o celular lá, jogado na cama, e fiquei mais um pouquinho na internet, vendo o que estava acontecendo com todas as pessoas que já fizeram parte das nossas vidas, depois de um tempo, resolvi tomar banho pra esfriar a cabeça, sua falta me afetava demais, quando voltei ao quarto para me vestir, ainda escolhendo a roupa com uma toalha na cabeça, senti o celular vibrando e a tela se acendeu, era uma mensagem sua, e dizia “você demorou...”.

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